ALENCAR, José

ALENCAR, José


*sen. MG 1999-2002; vice-pres. Rep. 2003-2010; min. Defesa 2004-2006

 

José Alencar Gomes da Silva nasceu em Itamuri, município de Muriaé (MG), no dia 17 de outubro de 1931, filho de Antônio Gomes da Silva e de Dolores Peres Gomes da Silva.

Alfabetizado em casa, aos 6 anos José Alencar entrou na escola existente no distrito de Rosário de Limeira, para onde a família se mudara, e nela estudaria até os 10 anos. Aos 7 anos de idade começou a trabalhar ajudando o pai em sua loja.

Sua infância, contudo, seria marcada pelas várias mudanças de cidade. Quando tinha dez anos, a família voltou a Muriaé, onde Alencar estudou na escola São Paulo. Mais tarde, em 1945, estabeleceu-se em Miraí, onde cursou o primeiro ano ginasial. Como nesta cidade, no entanto, não houvesse escolas de qualidade, aos 14 anos José Alencar saiu de casa, mudando-se para Muriaé, onde deu continuidade à vida profissional trabalhando como balconista em um armarinho.

Em 1948, mudou-se para Caratinga, também em Minas, a fim de trabalhar na Casa Bonfim. Dois anos depois, aos 19 anos, José Alencar abria sua primeira empresa, denominada A Queimadeira, com um empréstimo de quinze mil cruzeiros feito por seu irmão. Dali em diante, foi também viajante comercial, atacadista de cereais, dono de uma fábrica de macarrão – denominada Fábrica de Macarrão Santa Cruz –, atacadista de tecidos e industrial do ramo de confecções.

Em 1959 assumiu os negócios do irmão, falecido, na fábrica União dos Cometas. Em 1963 construiu a Companhia Industrial de Roupas União dos Cometas, e quatro anos depois, em parceria com o empresário e deputado Luís de Paula Ferreira Lima, fundou a Companhia de Tecidos Norte de Minas (Coteminas) na cidade mineira de Montes Claros. A partir de então, foi ampliando negócios, criando e adquirindo várias empresas, inclusive na Argentina, no México e nos Estados Unidos. Para alguns de seus empreendimentos chegou a obter ajuda da Sudene e do BNDE.

Ao longo de sua trajetória empresarial, José Alencar atuou também em entidades de classe, tendo sido presidente da Associação Comercial de Ubá (1965-1966), diretor da Associação Comercial de Minas (1973), presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais-FIEMIG (1989-1995). Durante sua gestão nesta última instituição verificou-se aumento do número de sindicatos, ampliando-se assim o diálogo entre estes e a entidade. Também em sua gestão a FIEMIG valorizou as pequenas e médias empresas; construiu os Centros de Apoio aos Trabalhadores da Indústria, que davam lazer e assistência social; e ampliou a participação da entidade no estado. Foi ainda vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Seu trabalho à frente da Federação foi fundamental para alavancar sua vida política, iniciada em 1993, quando se filiou ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). Logo assumiu a vice-presidência do partido.

Em 1994 José Alencar disputou as eleições para o governo de Minas Gerais. Sem obter grande apoio do partido e fazendo a campanha por conta própria, conseguiu apenas o terceiro lugar.

Quatro anos mais tarde, contudo, Alencar foi eleito senador pelo estado de Minas Gerais na legenda do PMDB, com quase três milhões de votos. Assumiu seu mandato em fevereiro de 1999, exercendo nesta legislatura a presidência da Comissão de Serviços de Infraestrutura e membro das comissões de Assuntos Econômicos e de Assuntos Sociais. Chegou a disputar a presidência do Senado mas não contou com o apoio de seus próprios correligionários – do partido, recebera apenas o seu próprio voto. Derrotado, decidiu-se por deixar o PMDB, em 2001, e ingressar no Partido Liberal (PL).

Em junho de 2002, durante a convenção nacional do PL que aprovou a aliança com o PT, foi escolhido candidato a vice-presidente da República para compor a chapa de Luís Inácio Lula da Silva, candidato do PT, nas eleições presidenciais de outubro. Esperava-se que ampliasse a votação de Lula ao atrair a confiança do grande empresariado e demonstrar que o PT não era mais o partido “radical” de outrora. Com a vitória de Lula nas eleições presidenciais, renunciou ao Senado em dezembro, assumindo em seu lugar Aelton Freitas.

José Alencar foi empossado na vice-presidência da República no dia 1º de janeiro de 2003. Nessa função, desde o início do governo Lula manifestou-se várias vezes de forma contrária à política de juros altos praticada pelo governo, que, em sua opinião, representava um obstáculo ao crescimento econômico, à geração de empregos e à distribuição de renda. No entanto, ao falar da pouca influência que tinha sobre a condução de tal política, disse que o “vice não manda nada”. Ainda em suas palavras, “vice pede com empenho, com dedicação e responsabilidade, e eu tenho pedido o tempo todo do nosso governo. Nunca me ouviram. (...) Nem o próprio presidente”.

Em 8 de novembro de 2004 passou a acumular a função de ministro da Defesa, em substituição ao diplomata José Viegas Filho, que pediu demissão após entrar em conflito com o comando do Exército a respeito de uma nota divulgada por este à imprensa em que se fazia uma apologia dos valores do regime militar (1964-1985). A nomeação do vice-presidente para a pasta da Defesa foi vista como um meio de prestigiar as Forças Armadas e também como um modo de torná-la menos vulnerável às pressões militares.

Durante sua gestão no Ministério da Defesa, rejeitou a proposta feita pelos Estados Unidos de criação de um Exército único na América do Sul e de ampliação das funções constitucionais militares visando ao combate ao terrorismo e ao crime organizado; expandiu a área de atuação do Projeto Calha Norte, destinado a reforçar a presença nacional em áreas da fronteira amazônica através da ocupação militar e de programas de infra-estrutura; retomou o Projeto Rondon, coordenado pelo Ministério da Defesa em parceria com o ministério da Educação e destinado à realização de atividades assistenciais em comunidades carentes isoladas, com a participação de universitários; e apoiou as negociações da Agência Espacial Brasileira com a Roskosmos, agência espacial russa, com o fim de levar o astronauta brasileiro Marcos César Pontes para o espaço em uma espaçonave Soyuz, missão que acabou acontecendo em março de 2006.

Em setembro de 2005, deixou o PL, cuja imagem se havia desgastado nos meses anteriores pelas denúncias de envolvimento no escândalo do “mensalão”. No mesmo mês filiou-se ao Partido Municipalista Renovador (PMR), pouco depois rebatizado de Partido Republicano Brasileiro (PRB). Em 3 de abril de 2006, deixou o cargo de ministro da Defesa para poder concorrer às eleições de outubro daquele ano. Foi substituído pelo político Valdir Pires. Em junho, foi confirmado candidato a vice-presidência da República na chapa de reeleição do presidente Lula. Com a nova vitória de Lula, foi mais uma vez empossado na vice-presidência da República, agora no dia 1º de janeiro de 2007. Assim como no período anterior, seu principal ponto de discordância com o governo continuou a ser a política de juros altos.

Durantes os períodos em que exerceu o cargo de vice-presidente, ocupou interinamente a presidência da República em várias ocasiões, durante viagens internacionais do presidente Lula, somando ao todo mais de 400 dias de exercício.

A partir de 2006, passou por uma série de longas e complexas cirurgias para a extração de tumores malignos, problema que vinha sendo enfrentado desde 1997. Em 9 de abril de 2010, viu-se obrigado a deixar a vice-presidência para cuidar da saúde, o que não impediu que seu nome fosse cogitado para concorrer ao Senado neste mesmo ano. Alencar, contudo, afirmou que não achava direito se candidatar enquanto fazia quimioterapia. Veio a falecer devido ao câncer, doença contra a qual tanto lutara, a 29 de março de 2011, em São Paulo.

Foi casado com Mariza Campos Gomes da Silva, teve três filhos.

 

Paulo Celso Liberato Correa / Elizabeth Dezouzart Cardoso (Atualização)

 

FONTES: ALVES, S. (04/02/2009);Folha de S. Paulo (24/06/2002, 14/11/2004, 11/09/2005, 29/09/2005 e 09/11/2009); Portal Defesa@Net (02/02/2005). Disponível em: <http://www.defesanet.com.br>; Portal Globo.com (01/03/2009). Disponível em: <http://www.globo.com>; Portal do Ministério da Defesa (03/04/2005). Disponível em: <https://www.defesa.gov.br>; Portal Presidência da República. Disponível em: <http://www.presidencia.gov.br>; Portal Uai (31/06/2008). Disponível em: <http://www.uai.com.br>; PortalUOL Notícias (23/06/2006). Disponível em: <http://noticias.uol.com.br>. Acesso em 23/06/2006; Portal Wickipedia. Disponível em: https:Wikipedia/wiki/. Acesso em 26/06/2015.