COMPANHIA SIDERÚRGICA NACIONAL (CSN)

COMPANHIA SIDERÚRGICA NACIONAL (CSN)

 

 

                Sociedade anônima de economia mista criada em 9 de abril de 1941, com a finalidade de fabricar e transformar ferro gusa, ferro, aço e seus derivados, bem como de estabelecer e explorar qualquer indústria direta ou indiretamente relacionada com esses objetivos.

 

Antecedentes

 

            A década de 1910 correspondeu à primeira fase da história da indústria de ferro no Brasil. Dois fatos significativos marcaram esse período: a aquisição das jazidas nacionais por grupos estrangeiros e a política de concessão de vantagens e privilégios a todos os que se propusessem a explorar o minério de ferro.

            A aquisição a baixo preço das reservas de minério por grupos estrangeiros fez surgir no país uma tendência nacionalista, ligada ao receio de que o Brasil perdesse para o exterior a posse de suas jazidas. Esse temor foi expressado de início por um grupo constituído preponderantemente de técnicos. Por outro lado, as empresas nacionais e estrangeiras que se formaram para explorar o ferro estavam mais interessadas na exportação do minério do que propriamente na instalação de indústrias siderúrgicas no país. Diante das críticas do grupo de técnicos nacionalistas, o governo obrigou os exportadores a transformar uma parte do minério em gusa e aço dentro do país.

            A partir de 1920, mudanças importantes começaram a marcar a economia brasileira. O desenvolvimento da indústria nacional intensificou o consumo de produtos siderúrgicos, dando assim início a uma nova fase na história da siderurgia no Brasil. O governo passou a se opor à política de conservação do minério, mostrando-se igualmente desiludido com a concessão de vantagens aos empresários do setor.  Nesse momento, foi assinado o contrato entre o governo federal e a Itabira Iron Ore Company, empresa de capital predominantemente inglês, que em 1911 havia adquirido as maiores jazidas de ferro do país. Dispondo de técnicos e de capital e mantendo, além disso, o controle acionário da Companhia Estrada de Ferro Vitória-Minas, a Itabira centralizou nesse período o debate sobre a indústria siderúrgica, sem contudo nada realizar de concreto.

            A Revolução de 1930 trouxe novo impulso à siderurgia, propondo como um de seus objetivos a criação de uma grande indústria siderúrgica, identificada mesmo com a noção de soberania nacional.  Deixou-se de incentivar a criação de pequenas usinas metalúrgicas e várias comissões foram formadas, como a comissão revisora do contrato da Itabira, a Comissão Nacional de Siderurgia (ambas em 1931) e a Comissão dos Onze (em 1933), também destinada a estudar o caso da Itabira. O novo projeto de contrato com a Itabira foi enviado à Câmara dos Deputados em maio de 1935, sendo então definido o papel decisivo de uma grande indústria siderúrgica para o desenvolvimento e a independência econômica do país. Por solicitação do Legislativo, as Forças Armadas foram chamadas a se manifestar sobre o assunto. Através de pareceres emitidos pelo Estado-Maior do Exército, o Estado-Maior da Armada e o Conselho do Almirantado, os militares consideraram a questão siderúrgica não como uma simples questão econômica, mas como um problema político-econômico de cuja solução dependia o futuro da defesa nacional. A partir daí, os militares passaram a desempenhar um papel decisivo na luta pela criação de um setor siderúrgico brasileiro.

            A partir de 1937, diante das grandes transformações que se operavam externamente, intensificaram-se as medidas governamentais para a rápida solução da questão siderúrgica.  Em abril de 1938, o presidente Getúlio Vargas apresentou as alternativas que poderiam levar à instalação de uma grande indústria siderúrgica: esta poderia ser financiada "primeiro, pelo Estado, com levantamento de capitais estrangeiros ou mediante financiamento na base de minério exportado; segundo, com capitais mistos do Estado e de empresas particulares nacionais; terceiro, por empresas particulares, com capitais próprios estrangeiros e controle do Estado".

            Com o objetivo de escolher a melhor solução, o presidente solicitou ao Conselho Técnico de Economia e Finanças e ao Conselho Federal de Comércio Exterior pareceres sobre o assunto. O parecer final do Conselho Técnico de Economia e Finanças sugeriu a aceitação do projeto de contrato da Itabira Iron. Votaram contra esse parecer Guilherme Guinle e Mário de Andrade Ramos. No Conselho Federal de Comércio Exterior foi criada uma comissão especial para opinar sobre a questão. As teses sugeridas pela comissão especial se resumiam a dois itens principais: o estabelecimento do monopólio do Estado na exportação de minério de ferro e de manganês e a organização da indústria siderúrgica sob regime estatal ou, na impossibilidade deste, semi-estatal, estendendo-se o controle do Estado a todas as indústrias de fabricação de aço.  Esse último parecer foi enviado ao Conselho de Segurança Nacional.

            No decorrer do ano de 1939, a siderurgia ingressou numa fase marcada por algumas medidas concretas.  No mês de janeiro, Vargas enviou o tenente-coronel Edmundo de Macedo Soares à Europa com a incumbência de estudar a possibilidade de o Brasil obter a colaboração de capitais estrangeiros e exportar minério de ferro para os países europeus. Como observou Macedo Soares, entretanto, a guerra estava muito próxima e os países europeus não estavam interessados em investir no Brasil. Por outro lado, em missão nos Estados Unidos, Osvaldo Aranha iniciou entendimentos com a United States Steel, que se mostrava interessada na associação com capitais brasileiros a fim de instalar a primeira usina a coque do país.

            Em maio de 1939, através de seu secretário-geral, o general-de-divisão Francisco José Pinto, o Conselho de Segurança Nacional aprovou o parecer do Conselho Federal de Comércio Exterior, argumentando que "a situação atual do mundo, as ameaças de uma catástrofe próxima que pesam sobre os povos, o desrespeito às leis internacionais e aos tratados não mais permitem a existência de países fracos, objeto de cobiça de povos fortes(...) O Brasil precisa constituir-se, o mais rapidamente possível, em grande potência (...) Impõe-se então, com urgência, a organização da indústria pesada". Foi sugerido que a indústria do ferro e do aço fosse explorada por sociedades anônimas com capital social constituído pela União e por particulares, reservada a brasileiros natos uma parcela que, somada à da União, representasse uma proporção não inferior a 51% do capital total.

            Nesse período, ao lado das negociações econômicas com o exterior, intensificaram-se as discussões em torno da cooperação militar entre o Brasil e os Estados Unidos.  O governo norte-americano mostrou-se interessado em complementar o preparo naval brasileiro através do fornecimento de navios e cruzadores. Ao mesmo tempo, deixou claro seu desejo de cooperar na construção de duas bases navais, uma no Norte e outra no Sul do Brasil.

Em junho de 1939, o general Pedro Aurélio de Góis Monteiro, chefe do Estado-Maior do Exército, foi enviado aos Estados Unidos para dar prosseguimento às negociações militares. Durante sua visita, foi informado das propostas norte-americanas, que consistiam em facilitar ao Brasil a aquisição do material indispensável às suas Forças Armadas em troca da cessão de pontos do litoral considerados estratégicos para a defesa do continente. O governo norte-americano manifestou também sua disposição de cooperar no desenvolvimento econômico do Brasil, chegando a pedir que fosse elaborado um plano com a soma total dos recursos considerados necessários para a solução dos principais problemas brasileiros.

            Ainda em junho de 1939, a United States Steel enviou técnicos ao Brasil para estudar a viabilidade da construção de uma grande usina a coque, com capitais mistos. Com o encargo de apresentar um relatório demonstrativo dessas possibilidades, foi então criada uma comissão conjunta de técnicos norte-americanos e brasileiros, da qual faziam parte Edmundo de Macedo Soares, Plínio Cantanhede, João Batista da Costa Pinto e Joaquim Arrojado Lisboa. Em seu relatório, a comissão recomendou a construção de uma usina a ser explorada por uma companhia brasileira do tipo sociedade anônima, cuja organização e direção seriam discutidas em conjunto pelo governo brasileiro e a United States Steel Co. A usina a ser construída iniciaria suas atividades com uma produção de 285 mil toneladas de produtos acabados por ano. Deveria ser projetada para utilizar o coque de Santa Catarina misturado ao carvão importado, e se localizaria perto da cidade do Rio de Janeiro, nas proximidades de Santa Cruz. Deveria produzir trilhos e acessórios, perfis, ferros redondos e chatos, chapas, folhas-de-flandres e ferro gusa para fundição. Seria servida pela Estrada de Ferro Central do Brasil, e o porto de Laguna (SC) seria concluído para o importação do carvão que lhe fosse necessário.

            A conseqüência imediata da vinda dos técnicos norte-americanos ao Brasil e das conclusões favoráveis a que chegaram quanto à instalação de uma usina siderúrgica foi a criação da Comissão Preparatória do Plano Siderúrgico. Essa comissão elaborou um plano para a organização da siderurgia brasileira, procurando harmonizar as atividades particulares já existentes com o programa de ação futura, para evitar que as primeiras colidissem ou viessem a estabelecer uma concorrência ruinosa, deixando inexplorados alguns setores. Propôs também a criação do Conselho Nacional de Minas e Metalurgia, que seria o órgão de cúpula destinado a articular os problemas conexos da mineração em geral, dos combustíveis sólidos e da metalurgia. A comissão preparatória foi presidida por Edmundo de Macedo Soares.

            Em janeiro de 1940, o presidente Vargas foi informado de que o comitê financeiro da United States Steel resolvera não mais participar da construção da usina no Brasil, por não desejar estender suas atividades fora dos Estados Unidos. A recusa da United States Steel em participar do empreendimento siderúrgico brasileiro levou o governo à decisão de criar a grande siderurgia através de uma empresa nacional, com a ajuda de capitais estrangeiros sob a forma de empréstimos.

            Em março de 1940, foi criada a Comissão Executiva do Plano Siderúrgico Nacional, que estabeleceu as bases para a organização da primeira grande usina brasileira. A comissão admitiu uma produção média de 300 mil toneladas de perfis médios e pesados, trilhos, chapas e folhas-de-flandres. Em relação ao carvão, ficou estabelecido que inicialmente a usina funcionaria com o coque obtido da mistura do carvão de Santa Catarina com o carvão importado. Para a localização da usina, depois de estudadas várias regiões, a comissão deu preferência ao trecho compreendido entre Barra do Piraí (RJ) e Barra Mansa (RJ), no Vale do Paraíba, que tinha a vantagem de poder contar com a Estrada de Ferro Central do Brasil. Do ponto de vista da defesa militar, a região reunia igualmente condições favoráveis. Foi finalmente escolhida a área de Volta Redonda (RJ), situada a nove quilômetros de Barra Mansa.

            Depois de aprovar os planos de construção da usina e os planos de financiamento, o presidente Vargas autorizou o embaixador brasileiro em Washington, Carlos Martins Pereira e Sousa, a promover os entendimentos necessários junto ao governo norte-americano e ao Export-Import Bank (Eximbank), no sentido de obter deles a mais ampla colaboração. Mas os Estados Unidos retardavam qualquer definição, e durante esse período de espera a imprensa norte-americana informava que existiam grupos europeus interessados na instalação de uma indústria siderúrgica no Brasil. O presidente Franklin Roosevelt decidiu, então, interferir diretamente no caso, sugerindo ao administrador dos empréstimos federais, Jesse Jones, que promovesse o reatamento das negociações com a United States Steel.

            Mas não era esta a solução esperada por Vargas para o problema, pois o governo brasileiro pleiteava junto ao Eximbank um crédito para a aquisição de maquinaria no montante de 17 milhões de dólares. Os Estados Unidos mostravam-se interessados em colaborar, mas só através da associação com uma empresa norte-americana.

            O discurso de Vargas de 11 de junho de 1940, a bordo do encouraçado Minas Gerais,provavelmente concorreu para modificar a posição norte-americana. Esse discurso foi interpretado como uma declaração de que o Brasil estava-se associando aos países do Eixo no conflito mundial. Enquanto Mussolini expressava por telegrama sua admiração pelo grande homem de Estado que era o presidente Vargas, nos Estados Unidos a surpresa e o desapontamento não tinham limites.  A reação por parte do Congresso, da imprensa escrita e do rádio foi violenta, não se medindo críticas e criando-se mesmo uma atmosfera de desconfiança e alerta contra o Brasil.

            Os Estados Unidos já estavam, então, diretamente interessados no conflito europeu.  Tinham redobrado o auxilio ostensivo ao governo britânico, e os preparativos para uma guerra prestes a ser declarada se faziam em ritmo acelerado. A neutralidade de qualquer país da América do Sul já não oferecia garantia aos dirigentes norte-americanos, que queriam uma definição.

            Por outro lado, na medida em que pôs fim a uma discussão interminável, o discurso de Vargas pode ser visto igualmente como uma manobra para forçar uma definição dos Estados Unidos e vencer as últimas resistências à implantação de uma siderúrgica no Brasil. No dia 12 de junho Getúlio comunicou ao embaixador brasileiro em Washington que uma comissão integrada por Guilherme Guinle, Macedo Soares e Ari Torres seguiria para os Estados Unidos a fim de negociar diretamente com o Eximbank o financiamento para a usina brasileira. Ao chegar, a comissão brasileira encontrou a situação bastante modificada.  Os norte-americanos concordaram em conceder um empréstimo de 20 milhões de dólares, exigindo em troca que fosse criado um escritório executivo formado por engenheiros brasileiros e norte-americanos, que ficaria encarregado de coordenar todo o trabalho de cálculo final da usina e de escolha e compra do material.

            Em agosto de 1940, enquanto prosseguiam em Washington as negociações da comissão brasileira referentes à concessão do empréstimo para a construção da usina siderúrgica de Volta Redonda, o governo norte-americano informou ao Estado-Maior do Exército brasileiro os itens que considerava importantes para a segurança intercontinental, itens esses que dependiam diretamente da aquiescência do governo brasileiro. A cooperação militar Brasil-Estados Unidos estava fundamentalmente apoiada no consentimento brasileiro para que os norte-americanos utilizassem as bases aéreas brasileiras que se estendiam do Rio de Janeiro a Belém, incluindo Salvador, Natal, Fortaleza, São Luís, Teresina e Recife.

            O governo norte-americano salientou ainda a necessidade de neutralizar na América do Sul, particularmente no Brasil, a pressão econômica e política da Alemanha, da Itália e do Japão. Tentou também conseguir do Brasil que fossem colocados à disposição das Forças Armadas dos Estados Unidos os portos, as enseadas, os aeroportos, as estradas de ferro e de rodagem e os meios de comunicação, sempre que isso fosse necessário. Essas exigências provocaram resistências dentro das Forças Armadas brasileiras, o que retardou a conclusão de um acordo.

            De toda forma, em 30 de janeiro de 1941, pelo Decreto-Lei nº. 3.002 Vargas aprovou o plano de construção e exploração de uma usina siderúrgica nacional, e autorizou a Comissão Executiva do Plano Siderúrgico Nacional a promover os atos necessários para a constituição da Companhia Siderúrgica Nacional. Autorizou ainda o Ministério da Fazenda a subscrever, através do Tesouro Nacional, a parte necessária à integralização do capital da sociedade.

            Em 3 de abril do mesmo ano, pelo Decreto-Lei nº 3/73, o presidente da República autorizou os institutos de aposentadoria e pensões dos industriários, dos comerciários e dos bancários e as caixas econômicas do Rio de Janeiro e de São Paulo a subscreverem as ações preferenciais da companhia.

            Em assembléia geral realizada no dia 9 de abril, foi finalmente criada a Companhia Siderúrgica Nacional, sendo subscritos 500 milhões de cruzeiros do seu capital social. Na assembléia, Guilherme Guinle foi nomeado presidente da nova companhia. Por decreto presidencial foi nomeada a primeira diretoria, integrada por Ari Frederico Torres (vice-presidente), Edmundo de Macedo Soares (diretor-técnico), Oscar Weinschenck (diretor-comercial) e Alfredo de Sousa Reis Júnior (diretor-secretário).

                As negociações com Washington prosseguiram durante o ano de 1941, estando o Brasil interessado na obtenção de material bélico indispensável à reorganização de suas Forças Armadas. Nos entendimentos para a compra de armamentos, os norte-americanos sugeriram que os empréstimos ao Brasil se fizessem em troca de minérios brasileiros. Vargas viu aí a oportunidade de dar maior integração à questão siderúrgica, resolvendo definitivamente dois antigos problemas: o da Estrada de Ferro Vitória-Minas e o das jazidas de ferro da Itabira IronOre Co. Esses objetivos se concretizaram através da assinatura dos Acordos de Washington, em 3 de março de 1942.

 

Funcionamento e expansão

 

            A construção e a expansão da Usina Presidente Vargas, ou Usina de Volta Redonda, da Companhia Siderúrgica Nacional, se realizaram em quatro etapas: 1941-1948, 1952-1954, 1956-1960 e 1965 em diante. Os primeiros setores da usina a entrar em funcionamento foram os fornos de coque e o setor de subprodutos (alcatrão, piche, benzol, nafta etc.), em abril de 1945. Ao final da Segunda Guerra Mundial, 80% da usina estavam concluídos.

            Durante o período de construção da usina de aço foram tomadas medidas para garantir a infra-estrutura necessária a seu funcionamento. A principal delas foi a ampliação da rede ferroviária da Central do Brasil, ligando o Rio de Janeiro a Volta Redonda e eletrificando o trecho Nova Iguaçu-Barra do Piraí. A Companhia Siderúrgica Nacional construiu também a cidade de Volta Redonda para instalar a usina e seu pessoal.  Foram construídos alojamentos, casas, hotéis, igrejas, escolas etc. Os centros de mineração de Minas Gerais e Santa Catarina, em que a companhia operava também, foram beneficiados com obras de infra-estrutura.

            Em junho de 1946 a companhia iniciou sua produção, com 8.180 toneladas de aço em lingotes e 13.011 toneladas de aço laminado. O aumento da demanda de aço levou a usina a traçar, já em 1950-1951, os planos para a sua primeira grande expansão -- o plano B. Em março de 1952, a companhia obteve um novo empréstimo do Eximbank no valor de 20 milhões de dólares.  Em setembro de 1953, o plano B foi oficialmente concluído, prevendo-se o aumento da produção de lingotes para 630 mil toneladas e da produção de metais com acabamento para 710 mil toneladas.

            Ainda em 1952, a Companhia Siderúrgica Nacional adquiriu o controle acionário da Sociedade Carbonífera Próspera S.A., que possuía reservas carboníferas de 50 milhões de toneladas nas proximidades de Tubarão (SC).

            Em 1960 entrou em funcionamento o plano de expansão C, que previa o aumento da produção anual da usina para um milhão de toneladas.  Para a conclusão dessa etapa, a companhia recebeu novo empréstimo do Eximbank, no valor de 3,5 milhões de dólares. O plano C incluía também uma usina de sínter, tornando a produção de aço em Volta Redonda mais econômica, na medida em que diminuía o volume de carvão consumido.

            A demanda crescente de aço e metais ferrosos levou a companhia a planejar uma terceira fase de expansão, dividida em duas etapas: o plano intermediário e o plano D. O plano intermediário foi traçado em maio de 1962 e revisto em março de 1965. Os empréstimos norte-americanos necessários à realização do plano só foram liberados em 1965. A meta do plano intermediário foi elaborar um programa de expansão a médio prazo, com investimentos moderados para aumentar a produção de ferro e aço da Usina Presidente Vargas de 200 toneladas anuais até 1971. Esse plano recebeu financiamentos: da Aliança para o Progresso, da Mesta Engjneering Company e da General Motors, totalizando três milhões de dólares. O governo norte-americano participou com um financiamento de seis milhões de dólares e a Agency for International Development (AID), com um de 5,5 milhões de dólares.

            O plano D foi realizado para aumentar a produção da companhia para dois milhões de toneladas, o que exigiria um investimento de 200 milhões de dólares em equipamentos. O plano dividiu-se em duas partes, a serem cumpridas num período de dez anos, cada uma com cinco anos de duração. A primeira parte elevaria a produção da companhia para 2,3 milhões de toneladas até 1970, e para tanto seria necessário investir 150 milhões de dólares em equipamentos.  Até 1975 foi previsto o aumento da produção para 3,5 milhões de toneladas anuais, graças à implantação da segunda parte do plano, que previa um investimento de 50 milhões de dólares em material importado.

            O plano D foi aprovado por Roberto Campos, ministro do Planejamento, e por Daniel Faraco, ministro da Indústria e do Comércio, com a condição de que a companhia obtivesse maiores concessões portuárias e um melhor sistema de transporte ferroviário e marítimo. Dessa forma, a companhia começou a utilizar Angra dos Reis (RJ) como porto auxiliar para o já congestionado porto do Rio de Janeiro.

            A partir de 1966, a direção da companhia, que funcionava no Rio de Janeiro, transferiu-se em grande parte para Volta Redonda.

            Desde a sua fundação a companhia teve como presidente Guilherme Guinle (1941-1945), Sílvio Raulino de Oliveira (1945-1954), o general Edmundo de Macedo Soares (1954-1960), João Kubitschek de Figueiredo (1960-1961), o almirante Lúcio Meira (1961-1964), o general Osvaldo Pinto da Veiga (1964-1967), o general Alfredo Américo da Silva (1967-1973), Ademar Pinto (1973-1975) e Plínio Reis de Cantanhede Almeida (1975-1979), Benjamin Mário Batista (1979-1985), Juvenal Osório Gomes (1985-1990), Roberto Procópio Lima Neto (1990-1992), Sebastião Faria de Sousa (1992-1993), de novo Roberto Procópio de Lima Neto (1993-1994) e Silvio Nóbrega Coutinho (1994-1996).

            As linhas de produção da Companhia Siderúrgica Nacional incluem placas, blocos, trilhos, vigas, cantoneiras, barras, perfis especiais, chapas grossas, chapas finas a quente, chapas finas a frio, folhas-de-flandres, chapas galvanizadas, estruturas metálicas e subprodutos de carvão. São produzidos os tipos de aço efervescente, capeado, semi-acalmado, acalmado e cor-ten.

            A Companhia Siderúrgica Nacional tem como empresas subsidiárias a Companhia Carbonífera Próspera S.A., ligada à extração e pré-beneficiamento do carvão mineral, a Companhia Brasileira de Projetos Industriais (Cobrapi), responsável pelos projetos e pela assistência técnica para a sua expansão, a Imobiliária Santa Cecília S.A. (Cecisa), ligada ao Banco Nacional da Habitação, encarregada do problema habitacional em Volta Redonda, a Sociedade Técnica de Administração e Corretagem de Seguros (Sotecna), encarregada da corretagem dos seguros feitos pela companhia e por outros clientes, e a Óleo de Palma Agro-Industrial S.A. (Opalma), encarregada da produção e do beneficiamento do óleo de palma para a laminação a frio e o estanhamento nas folhas-de-flandres. Tem ainda investimentos em outras empresas, sob a forma de participação acionária. Entre elas incluem-se a Companhia Brasileira de Material Ferroviário (Cobrasma), a Companhia Siderúrgica Paulista (Cosipa), a Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais S.A. (Usiminas), a Companhia Ferro e Aço de Vitória, a Centrais Elétricas de Minas Gerais S.A. (Cemig), a Companhia Telefônica de Pernambuco, a Companhia Telefônica de Arcos, a Companhia Telefônica de Minas Gerais, a Empresa Telefônica de Campo Belo, a Companhia Rio-Grandense de Telecomunicações, a Empresa Brasileira de Telecomunicações, a Petrobras etc.

      A década de 1980 significou para a CSN um período de grandes dificuldades. Houve uma retração da demanda de produtos de aço, o que determinou uma redução de suas vendas internas.

      Diante da ociosidade de equipamentos e de uma possível necessidade de redução de sua força de trabalho, a companhia tentou aumentar suas vendas para o mercado externo, embora os preços internacionais estivessem em baixa e houvesse pouca procura por produtos de aço. Mas a maxidesvalorização do cruzeiro, ocorrida em fevereiro de 1983, trouxe melhor remuneração para as vendas externas, atenuando as dificuldades da empresa. O aumento das exportações foi de 33% em relação ao ano de 1982, tendo sido exportadas 2,291 milhões de toneladas.

      Outro problema enfrentado pela companhia foi a defasagem nos reajustes dos preços, que ficaram abaixo dos níveis da inflação, determinando uma expressiva diferença entre preços e custos. Acrescente-se, ainda, que o período foi de forte retração do mercado financeiro externo, o que dificultou a captação de recursos para o refinanciamento do serviço da dívida. A empresa continuou os investimentos visando a aumentar seus índices operacionais, mas não logrou aumentar a lucratividade das vendas, tendo forte prejuízo financeiro.

      O Plano Cruzado, lançado no primeiro semestre de 1986, afetou de forma negativa o desempenho da companhia, principalmente as suas exportações. No segundo semestre de 1986 foram reduzidas as vendas para o mercado externo com o objetivo de atender ao crescimento da demanda interna.

      Os anos de 1986 e 1987 foram de oscilações fortes na vida da empresa como conseqüência das mudanças bruscas e profundas ocorridas na política econômica brasileira, que ora tiveram efeitos positivos ora negativos nos negócios da CSN. Em seu relatório de atividades de 1988, a direção da empresa reconhece que o resultado negativo dos negócios da companhia “vêm-se repetindo há anos, pendendo para um estado crônico.”  Em novembro daquele ano a companhia enfrentou uma greve de 17 dias, o que afetou inclusive as suas exportações.

      Em 15 de janeiro de 1989 foi implantado um novo plano econômico por parte do governo para controlar a inflação, o chamado Plano Verão. Ele atingiu duramente a CSN ao congelar seus preços de venda e elevar as taxas de juros reais incidentes sobre os seus débitos.

      Pode-se dizer que a década de 1990 se iniciou com a continuação do processo de estagnação ou de recessão econômica nos países industrializados. A produção mundial de aço apresentou uma baixa de 30% da capacidade instalada. Da mesma forma, a recessão manteve os preços em queda.

      Mas em 1990 teve início um processo de saneamento da empresa com vistas à sua privatização. Foi reestruturado seu quadro de pessoal, foram reformulados os contratos de compra e venda de serviços, foi alterada a política comercial, eliminando-se as cotas de aço, e foi aumentado o número de tradings de três para mais de 23. Foi extinto o monopólio entre os transportadores de aço e foi, ainda, dada ênfase às exportações e reforçado o treinamento dos empregados com investimentos no Programa de Qualidade Total (TQC).

      A empresa comemorou seu cinqüentenário de criação em 1991 apresentando um pequeno lucro após oito anos de sucessivos prejuízos, o que significou o início de um processo de recuperação.

 

 

Privatização da CSN

 

      Em abril de 1993 deu-se a privatização da Companhia Siderúrgica Nacional. Seu capital social foi bastante pulverizado, tendo havido a participação estimada de 30 mil acionistas, entre bancos, indústrias, fundos de pensão, corretoras e distribuidoras, sem contar os empregados da empresa. Naquele ano ela continuou a política de negociação de suas dívidas, no sentido de melhorar o seu perfil de endividamento. Chegou a negociar a totalidade de sua dívida com o BNDES.

      O ano de 1994 foi marcado pelo lançamento da nova moeda, o real, e por uma política de controle da inflação, tendo sido também o primeiro ano em que a CSN esteve integralmente sob administração e controle do setor privado. Naquele ano, pela primeira vez a aciaria da CSN teve uma produção de 4,6 milhões de toneladas – meta que vinha sendo perseguida desde a década de 1980.

      Em 1995, com a estabilidade econômica do país e a volta do crescimento da economia, a CSN manteve-se na posição de líder do setor siderúrgico nacional e latino-americano, especialmente no segmento de aços revestidos.

      A partir desse momento a empresa passou a investir mais em preservação ambiental.

 

Alzira Alves de Abreu

 

FONTES: ABREU, A. Siderurgia; RADY, D. Brazil's; REL. CSN (1982-1995).