ALENCAR, José

ALENCAR, José


*sen. MG 1999-2002; vice-pres. Rep. 2003- ; min. Defesa 2004-2006

 


José Alencar Gomes da Silva nasceu em Itamuri, município de Muriaé (MG), no dia 17 de outubro de 1931, filho de Antônio Gomes da Silva e de Dolores Peres Gomes da Silva.

Começou sua vida profissional aos 14 anos, como balconista em um armarinho em Muriaé. Aos 18 anos tornou-se comerciante e, dali em diante, foi também viajante comercial, atacadista de cereais, dono de uma fábrica de macarrão, atacadista de tecidos e industrial do ramo de confecções. Em 1959 assumiu os negócios do irmão falecido na fábrica União dos Cometas. Em 1963 construiu a Companhia Industrial de Roupas União dos Cometas. Em 1967, em parceria com o empresário e deputado Luís de Paula Ferreira Lima, fundou a Companhia de Tecidos Norte de Minas (Coteminas) na cidade mineira de Montes Claros. Atuou também em entidades de classe empresarial, tendo sido presidente da Associação Comercial de Ubá (1965-1966), diretor da Associação Comercial de Minas (1973), presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (1989-1995) e vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

                Entrou para a política em 1993, quando se filiou ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), e em 1994 disputou as eleições para o governo de Minas Gerais, sem obter êxito. Em 1998 foi eleito senador pelo estado de Minas Gerais na legenda do PMDB, com quase três milhões de votos. Assumiu o mandato no Senado em fevereiro de 1999 e foi presidente da Comissão de Serviços de Infraestrutura e membro das comissões de Assuntos Econômicos e de Assuntos Sociais. Em 2001, deixou o PMDB e ingressou no Partido Liberal (PL). Em junho de 2002, durante a convenção nacional do PL que aprovou a aliança com o PT, foi escolhido candidato a vice-presidente da República para compor a chapa de Luís Inácio Lula da Silva, candidato do PT, nas eleições presidenciais de outubro. Esperava-se que ampliasse a votação de Lula ao atrair a confiança do grande empresariado e demonstrar que o PT não era mais o partido “radical” de outrora. Com a vitória de Lula nas eleições presidenciais, renunciou ao Senado em dezembro, assumindo em seu lugar Aelton Freitas.

José Alencar foi empossado na vice-presidência da República no dia 1º de janeiro de 2003. Nessa função, desde o início do governo Lula manifestou-se várias vezes de forma contrária à política de juros altos praticada pelo governo, que, em sua opinião, representava um obstáculo ao crescimento econômico, à geração de empregos e à distribuição de renda. No entanto, ao falar da pouca influência que tinha sobre a condução de tal política, disse que o “vice não manda nada”. Ainda em suas palavras, “vice pede com empenho, com dedicação e responsabilidade, e eu tenho pedido o tempo todo do nosso governo. Nunca me ouviram. (...) Nem o próprio presidente”.

Em 8 de novembro de 2004 passou a acumular a função de ministro da Defesa, em substituição ao diplomata José Viegas Filho, que pediu demissão após entrar em conflito com o comando do Exército a respeito de uma nota divulgada por este à imprensa em que se fazia uma apologia dos valores do regime militar (1964-1985). A nomeação do vice-presidente para a pasta da Defesa foi vista como um meio de prestigiar as Forças Armadas e também como um modo de torná-la menos vulnerável às pressões militares.

Durante sua gestão no Ministério da Defesa, rejeitou a proposta feita pelos Estados Unidos de criação de um Exército único na América do Sul e de ampliação das funções constitucionais militares visando ao combate ao terrorismo e ao crime organizado; expandiu a área de atuação do Projeto Calha Norte, destinado a reforçar a presença nacional em áreas da fronteira amazônica através da ocupação militar e de programas de infra-estrutura; retomou o Projeto Rondon, coordenado pelo Ministério da Defesa em parceria com o ministério da Educação e destinado à realização de atividades assistenciais em comunidades carentes isoladas, com a participação de universitários; e apoiou as negociações da Agência Espacial Brasileira com a Roskosmos, agência espacial russa, com o fim de levar o astronauta brasileiro Marcos César Pontes para o espaço em uma espaçonave Soyuz, missão que acabou acontecendo em março de 2006.

Em setembro de 2005, deixou o PL, cuja imagem se havia desgastado nos meses anteriores pelas denúncias de envolvimento no escândalo do “mensalão”. No mesmo mês filiou-se ao Partido Municipalista Renovador (PMR), pouco depois rebatizado de Partido Republicano Brasileiro (PRB). Em 3 de abril de 2006, deixou o cargo de ministro da Defesa para poder concorrer às eleições de outubro daquele ano. Foi substituído pelo político Valdir Pires. Em junho, foi confirmado candidato a vice-presidência da República na chapa de reeleição do presidente Lula. Com a nova vitória de Lula, foi mais uma vez empossado na vice-presidência da República, agora no dia 1º de janeiro de 2007. Assim como no período anterior, seu principal ponto de discordância com o governo continuou a ser a política de juros altos.

Durantes os períodos em que exerceu o cargo de vice-presidente, ocupou interinamente a presidência da República em várias ocasiões, durante viagens internacionais do presidente Lula, somando ao todo mais de 400 dias de exercício. A partir de 2006, passou por uma série de longas e complexas cirurgias para a extração de tumores malignos, problema enfrentado desde 1997.

Casado com Mariza Campos Gomes da Silva, teve três filhos.

 

Paulo Celso Liberato Correa

 

FONTES: ALVES, S. (4/2/09); Folha de S.Paulo (24/6/02, 14/11/04, 11, 29/9/05, 9/ 11/09); Portal da Presidência da República. Biografia. Disponível em: <http://www. presidencia.gov.br>; Portal Defesa@Net (2/2/05). Disponível em: <http://www.defesa net.com.br>; Portal do Ministério da Defesa (3/4/05). Disponível em: <https://www. de fesa.gov.br>; Portal Globo.com (1/3/09). Disponível em: <http://www.globo.com>; Por tal Uai (31/6/08). Disponível em: <http://www.uai.com.br>; UOL Notícias (23/6/06). Disponível em: <http://noticias.uol.com.br>.